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Vivendo o Evangelho puro e simples

maosPão e Vinho. Estava indo até uma famosa lanchonete quando 3 adolescentes de 16 anos, moradores de uma favela, me pediram alimento. A menina disse que tava com muita fome, queria um lanche e um suco de uva. Resolvi ajudar e pedi para eles esperarem. Minha ideia era entrar, comer e depois levar um lanche para eles dividirem.

No caminho pensei: “como sou egoísta, os 3 devem estar morrendo de fome”. Então pedi 4 lanches para viagem e a ideia agora era levar rapidamente os 3 lanches para eles lá fora, voltar para a lanchonete e comer o meu. Na hora do pagamento então pensei de novo: “qual o erro deles que não são dignos de comer dentro do restaurante como eu?” Pedi pra tia do caixa esperar e chamei os 3 para dividir a mesa comigo, afinal de contas eu ia comer sozinho mesmo…As duas meninas e o garoto ficaram morrendo de vergonha, realmente constrangidos por entrar no lugar. Eles disseram que as pessoas falam que eles fedem e não gostam que eles entrem. Falei pra pararem de besteira, entramos e começamos a comer. Eu queria não só pagar uma janta pra eles mas também compartilhar o Evangelho. Logo no início, descobri que os 3 são de famílias diferentes, que já tem filhos bebês e estão terminando o ensino médio.

Conforme fomos comendo, ouvi sobre como é a vida na favela. Eles me explicaram como os “ricos da favela” ficam ostentando e deixando eles com inveja. Aconteceu que eles compartilharam uma realidade que eu não vivo e eu me vi despreparado. Nesse momento, era eu quem me envergonhava e constrangia. Que Evangelho eu ia pregar? Falar que talvez eles fossem predestinados?! Explicar com detalhes como foi a história do cristianismo e da Reforma?! Citar todas as coisas muito doidas e profundas que to aprendendo sobre o livro de Apocalipse?! Acho que não…o tempo foi passando e o papo continuava bem interessante. Aqueles adolescentes tinham marcas claras de guerra: facadas, cicatrizes da vida, externas do corpo e internas da alma. Reparei que os três não comeram tudo e guardaram para comer depois, ou dar para alguém da sua família. Terminamos e oramos juntos na mesa. Pronto, a ceia já estava toda lá: o pão e o vinho (ou suco de uva rs). Assim como escrevo agora era claro que Deus estava ali, e não representado por símbolos, mas estava de fato pois o pão é o corpo e o vinho é o sangue.

Eles me viram como um homem de negócios bem vestido e ficaram curiosos para saber no que eu trabalho. Eles falaram que a economia do Brasil está ruim, que a Dilma não ajuda e não há empregos. Dois deles querem ser advogados e a outra quer ser nutricionista. Os três me olharam como se os olhos como falassem: “você é economista, pode fazer algo para ajudar a economia do país” e é justamente isso que vou fazer. Mas naquele momento eu não podia fazer tanto. Só pude ajudar na alimentação de uma janta e num bom pacote de fraldas pra cada um dos filhos daqueles três jovens. Foi daí também que entendi que, num momento como esse, o que vale é o Evangelho puro e simples. Como disse Francisco de Assis:

Pregue o Evangelho a todo tempo. Se preciso, use palavras.

Escrito por P. Humaitá

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