Neemias, Um missionário empreendedor.

muro

A história de como Neemias ajudou seu povo a reconstruir o muro de Jerusalém é fonte de inspiração para profissionais e líderes cristãos em todas as áreas. Dentro deste contexto, cada vez mais missionários que seguem o modelo de Neemias tem transformado sociedades.

Neemias foi despertado para o problema de seu povo de uma forma singela. Seu irmão trouxe notícias que abalaram seu coração (Ne 1:2-3). Ele foi profundamente tocado ao saber da miséria que seu povo vivia e como consequência ele chorou e buscou ao Senhor em oração (Ne 1:4).

Após este breve período de reflexão e clamor, Neemias criou um pré-projeto e o levou ao rei. Este não apenas aceitou a proposta de trabalho como também se tornou um mantenedor da empreitada (Ne 2:1-8). Então, com um pré-projeto em mãos e os recursos financeiros necessários, Ele saiu em viagem rumo a seu campo missionário. E foi justamente em sua chegada que se observa o modelo de liderança que marcou a vida de Neemias e que deve ser estudado e aplicado hoje por todo aquele que quer empreender para o engrandecimento do reino e propagação do Evangelho.

Este modelo, simples porém completo, pode ser visto claramente nos versículos 17 e 18 do segundo capítulo do livro de Neemias.

“Então, lhes disse: Estais vendo a miséria em que estamos, Jerusalém assolada, e as suas portas, queimadas; vinde, pois, reedifiquemos os muros de Jerusalém e deixemos de ser opróbrio. E lhes declarei como a boa mão do meu Deus estivera comigo e também as palavras que o rei me falara. Então, disseram: Disponhamo-nos e edifiquemos. E fortaleceram as mãos para a boa obra.”

Neemias, ao chegar em Jerusalém, foi logo fazer uma avaliação pessoal da situação. Esta avaliação o levou diretamente para a ação, pois prontamente ele conclamou o povo a trabalhar na reconstrução dos muros com o objetivo de que o povo de Deus deixasse de ser envergonhado diante das outras nações. Ao apresentar esta análise e chamar o povo ao trabalho apresentando-lhes sua visão e a forma como Deus vinha direcionando o seu próprio coração, Neemias motivou o povo a se engajar e executar o trabalho. Ao final de 52 dias, mesmo enfrentado diversas tribulações, o muro estava reconstruído e deste ponto em diante o relato de Neemias mostra que se seguiu todo um trabalho de restauração espiritual do povo que ali vivia e que, mesmo dentro de um contexto de dominação, representava o povo de Deus na terra.

Dentro do cenário político-econômico da atualidade, onde tantas guerras, miséria e repressão tem assolado o povo de Deus, noticias como as relativas a perseguição de cristãos deveriam abalar o coração de seus irmãos, como ocorreu com Neemias. Muitas ONGs e agências missionarias estão ávidas por apoiar pessoas que querem abençoar o que hoje se conhece como a Igreja Sofredora. Mas aplicar este modelo requer preparo, perseverança e iniciativa. Muitos tem conseguido, mas estes ainda são poucos perto do tamanho do sofrimento que a igreja cristã tem vivido.

O mundo hoje, precisa de mais homens e mulheres que como Neemias empreenderão projetos de socorro e transformação da sociedade, os quais resultarão na reaproximação do povo com o Deus verdadeiro.

Autor: Gustavo Borges
 É diretor da tent Internacional no Brasil
e editor do site fazendotendas.org.

Alcançando o mundo em família

Alcançando o mundo em família

Durante suas viagens, Paulo plantou igrejas, fez discípulos e abençoou diversas famílias. Uma dessas famílias ficou registrada nas Escrituras como uma família de Fazedores de Tendas. Eles viveram o Evangelho de tal forma que até hoje são um modelo perfeitamente reproduzível de família cristã.

Atos 18.2-3 traz a história do encontro de Paulo com essa família: “[Paulo] encontrou certo judeu chamado Áquila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, em vista de ter Cláudio decretado que todos os judeus se retirassem de Roma. Paulo aproximou-se deles. E, posto que eram do mesmo ofício, passou a morar com eles e ali trabalhava, pois a profissão deles era fazer tendas”.

Nesses versículos, o autor conta que eles eram judeus exilados provavelmente por terem se convertido ao cristianismo, já que há indícios históricos de que a expulsão ocorrida naqueles dias teve como principal causa os judeus cristianizados que estavam causando tumulto em Roma.

Uma característica relevante dessa família era a sua hospitalidade. Eles não apenas passaram a trabalhar com Paulo, mas o receberam na própria casa. Essa estratégia permite que laços profundos sejam criados. Ao morar e trabalhar com eles, tanto Paulo quanto seus anfitriões tiveram tempo para conversar, compartilhar e mutuamente crescer no conhecimento da Palavra. Esse foi o período no qual Áquila e Priscila adquiriram um conhecimento ainda mais sólido e profundo a respeito do Evangelho.

Em Atos 18.24-26, o casal não morava em Corinto, mas em Éfeso. Lá eles conheceram Apolo, um engajado pregador da Palavra. Curiosamente Apolo não conhecia Cristo. Ele tinha ouvido a mensagem de João Batista e saiu a pregá-la. Porém, nesse meio tempo, Jesus se revelou e viveu todo o seu ministério sem que Apolo o soubesse. O casal de missionários, tendo percebido isso, novamente foi hospitaleiro e levou-o consigo para expor-lhe mais precisamente o Evangelho.

Ao escrever aos romanos, Paulo se referiu a essa família e mostrou com clareza o modelo de atuação deles. Nas saudações finais da carta, Paulo faz referência ao casal e à igreja que se reunia em sua casa. É interessante ver que, mesmo após ser expulso de Roma, o casal de missionários volta para lá e estabelece uma igreja em sua casa. Juntos começaram um novo grupo em que os cidadãos podiam ter acesso à mensagem da Cruz.

Esse modelo que leva em conta a hospitalidade, a pregação do Evangelho e a iniciativa de começar uma igreja na própria casa atualmente é a forma de atuação de inúmeras famílias de missionários. Esse é um modelo de família cristã em que Cristo é exposto de forma natural e intencional e deve ser seguido por cada crente, por cada família cristã que tem o desejo de alcançar o mundo com o Evangelho.


Texto publicado originalmente na Revista Povos e Linguas ed. 8.
Revista povos e Línguas
Povos e Línguas nº 8

 Gustavo Borges

Membro da equipe de coordenação do departamento Profissionais e Empresas em Missão (PEM) da Associação Missionária Transcultural Brasileira (AMTB). Bacharel em Ciências da Computação com pós-graduação em Matemática e Estatística. É consultor em uma multinacional de Seguros e editor do site fazendotendas.org. Diretor da Tent Brasil, uma organização missionária para promoção do modelo do fazer de tendas no mundo.

Fazedor de Tendas – O Modelo de Paulo

Fazedor de Tendas é a expressão moderna usada para se referir ao missionário que, inspirado no exemplo do apóstolo Paulo, trabalha para se sustentar e criar oportunidades de estabelecer pontes com o contexto local.

Já que a profissão de Paulo era a de fazedor de tendas, conforme Atos 18.3, adotou-se essa expressão como referência a esse tipo de missionário.

mercado lotado
Paulo se relacionava com a cidade por meio de sua profissão.

Durante boa parte do seu ministério, Paulo se “autossustentou”. Ele explica esse sustento da seguinte forma: “Porque vos recordais, irmãos, do nosso labor e da fadiga. E de como, noite e dia labutando para não vivermos à custa de nenhum de vós, proclamamo-vos o evangelho de Deus.” (1 Ts 2.9).

Em Atos 28.30-31 tem-se mais claramente o modelo de atuação do fazedor de tendas: “Por dois anos, permaneceu Paulo na própria casa, que alugara, onde recebia todos que o procuravam, pregando o reino de Deus e, com toda a intrepidez, sem impedimento nenhum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo”.

Vale considerar o período que Paulo esteve em Roma: “dois anos”. Além de uma marca de seu ministério, esse curto período é uma estratégia muito interessante, pois gera no missionário um senso de urgência e faz com que ele precise se organizar e trabalhar para divulgar o Evangelho mais rapidamente.

Em seguida vê-se que Paulo vivia em uma casa alugada. Isso o ajudava a não se estabelecer definitivamente. Ele estava sempre pronto a ir adiante, a buscar o próximo destino. Semelhantemente os fazedores de tenda de hoje buscam estar sempre prontos a ir para a próxima oportunidade de emprego ou o próximo povo a ser alcançado.

A descrição do modelo continua com a hospitalidade: “recebia todos que o procuravam”. Ser hospitaleiro é algo particularmente difícil. Normalmente o missionário vive em um contexto transcultural em que sua casa tem a tendência de se tornar um refúgio; é o cantinho onde ele pode viver a própria cultura, os hábitos de seu povo e onde ele se sente literalmente em casa. Acontece que é justamente no abrir das portas desse refúgio que a efetividade do trabalho começa. O estrangeiro entra na casa do missionário hospitaleiro cheio de curiosidade sobre a cultura e a forma de vida daquele estrangeiro. Ali ele começa a perceber, de forma prática, o que é o cristianismo.

E o modelo termina mostrando que, “com toda a intrepidez, sem impedimento nenhum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo”. No contexto de seu lar é sempre possível falar de Cristo, mesmo em países onde fazer isso publicamente seja proibido. Os fazedores de tenda exploram o exemplo de Paulo ao máximo sendo eficazes na pregação do Evangelho mesmo em contextos reconhecidamente fechados.

Ser um fazedor de tendas hoje é ser um cristão que, atendendo ao chamado da Grande Comissão, se dispõe a usar sua profissão para se sustentar conseguindo oportunidades de trabalho que o colocam por um curto período em um contexto transcultural. Sendo ele hospitaleiro, tem a oportunidade de pregar e viver o Evangelho para impactar aquele povo e aquela nação. Com isso, ele consegue levar o nome de Cristo adiante.

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Revista Povos e Línguas – nº 7

Texto publicado originalmente na Revista Povos e Linguas ed. 7.

Gustavo de Souza Borges

Membro da equipe de coordenação do departamento Profissionais e Empresas em Missão (PEM) da Associação Missionária Transcultural Brasileira (AMTB). Bacharel em Ciências da Computação com pós-graduação em Matemática e Estatística. É consultor em uma multinacional de Seguros e editor do site fazendotendas.org. Diretor da Tent Brasil, uma organização missionária para promoção do modelo do fazer de tendas no mundo.